Dr. Francisco de Assis

O que é a endometriose?

A Endometriose é uma doença caracterizada pela presença de pequenas porções do endométrio (camada que reveste a cavidade do útero) do lado de fora do útero. A presença desses focos de endométrio causa um processo inflamatório crônico na pelve feminina, levando algumas mulheres a apresentarem quadros de dor e/ou infertilidade. Algumas mulheres podem ter apenas dor (com fertilidade normal), outras apresentam apenas infertilidade (sem dor), sendo que muitas apresentam dor e infertilidade ao mesmo tempo.

Mulher com endometriose. Infertilidade

Quando suspeitar da endometriose?

Os sintomas mais característicos da endometriose são:

  • Cólicas menstruais fortes, que exigem a utilização de medicamentos mais potentes e que muitas vezes não melhoram nem que o uso dos medicamentos.
  • Cólicas menstruais com caráter progressivo, ou seja, as cólicas estão ficando cada vez mais forte com o passar dos anos.
  • Sentir dor durante a relação sexual, principalmente na penetração mais profunda. A dor pode não ser em todas as relações e também pode não aparecer em todas as posições sexuais.
  • Sangramentos uterinos anormais, como excesso de menstruação ou sangramentos antes da menstruação propriamente dita.
  • Alterações nos hábitos urinário e intestinal durante o período menstrual (podendo ter inclusive sangue na urina ou nas fezes).

Esses sintomas podem estar presentes desde as primeiras menstruações da mulher, mas podem ir aparecendo ao longo da vida. Muitas vezes eles tendem a ser progressivos em intensidade.

Como a endometriose leva à infertilidade?

A endometriose pode levar à infertilidade de várias formas. Veja a seguir:

  • Formação de aderências entre os órgãos pélvicos. É possivelmente o principal mecanismo de infertilidade da endometriose, pois pode impedir a liberação dos óvulos pelos ovários e também impedir a captação dos óvulos pelas trompas de Falópio.
  • Reação inflamatória em toda a região pélvica, que pode tornar o ambiente inóspito para os espermatozoides e para os embriões.
  • Redução da reserva ovariana. A endometriose ovariana, também conhecida como endometrioma, leva a redução da reserva folicular do ovário acometido. A reserva ovariana pode ser ainda mais prejudicada pela realização de cirurgias para retirada dos endometriomas. Se você possui endometriomas nos ovários, é importante avaliar a realização de congelamento de óvulos antes da realização de cirurgias. Clique aqui para saber mais sobre o congelamento de óvulos.
  • Alterações moleculares no tecido endometrial. Pesquisas científicas apontam também para outros mecanismos, ainda pouco conhecidos, como alterações ao nível molecular no tecido endometrial.

Como fazer o diagnóstico da endometriose?

O diagnóstico da endometriose pode ser bastante difícil. Isso porque normalmente ela não aparece em exames de sangue comuns, nem mesmo na maioria das ultrassonografias. Quando existir uma suspeita de endometriose pelos sintomas apresentados, o médico deve fazer um exame físico detalhado e lançar mão de alguns exames especializados, como a ultrassonografia endovaginal com preparo endometrial para pesquisa de endometriose e/ou e ressonância magnética da pelve para pesquisa de endometriose profunda. Esses dois exames precisam ser realizados por médicos acostumados ao diagnóstico de endometriose, preferencialmente em centros de referência.

Em último caso, o diagnóstico pode ser feito através de procedimentos cirúrgicos pélvicos, como a videolaparoscopia. Porém, com o avanço dos exames de imagem, não se recomenda mais a realização da cirurgia apenas com o objetivo de fazer o diagnóstico. Quando indicada, a cirurgia deve ter o objetivo de fazer o tratamento.

Diagnóstico da endometriose. Infertilidade

Como tratar a endometriose?

O tratamento da Endometriose depende de vários aspectos, como a intensidade dos sintomas, desejo ou não de gravidez, idade da paciente, aceitação do uso de medicações hormonais ou da realização de procedimentos cirúrgicos.

Tratamento de endometriose para pacientes que não querem engravidar:

A maioria das mulheres que não querem engravidar consegue ter um bom controle das dores da endometriose ao utilizarem tratamentos hormonais que suspendam a sua menstruação. Como exemplo podemos citar os anticoncepcionais a base de progestínicos, os anticoncepcionais orais combinados, os medicamentos injetáveis a base de progestínicos, os implantes e o DIU hormonal. Se necessário, pode ser associado o uso de analgésicos e antinflamatórios para alívio da dor.

Tratamento da endometriose

O tratamento cirúrgico é indicado quando o tratamento medicamentoso não consegue obter um controle satisfatório dos sintomas dolorosos. Nesse caso, através de procedimentos minimamente invasivos (como cirurgia videolaparoscópica e/ou robótica) os implantes de endometriose serão removidos, reduzindo assim os sintomas e melhorando a qualidade de vida da paciente.

É essencial que o tratamento cirúrgico seja conduzido por uma equipe multidisciplinar especializada em endometriose, pois o planejamento cirúrgico e a execução da cirurgia precisam ser muito bem feitos para se obter o sucesso desejado. O Hospital Felício Rocho conta com o NIPTE (Núcleo Integrado de Pesquisa e Tratamento de Endometriose) e se destaca como uma referência nacional no tratamento dessa patologia. Saiba mais sobre o NIPTE clicando aqui.

Cirurgia para endometriose

Tratamento da Endometriose em pacientes que querem engravidar:

Para as pacientes que querem engravidar, não podemos utilizar apenas os tratamentos hormonais que bloqueiam a menstruação. Isso porque todos esses tratamentos são contraceptivos, ou seja, impedem a gravidez.

De uma maneira geral, as pacientes inférteis com endometriose precisam escolher entre o tratamento cirúrgico ou o tratamento através de reprodução assistida (fertilização in vitro).

Mas como escolher entre a cirurgia ou a reprodução assistida?

Candidata ideal a tratamento cirúrgico da endometriose com o objetivo de engravidar:

  • Pacientes jovens (com menos de 35 anos);
  • Boa reserva ovariana
  • Sem cirurgias prévias
  • Sem outros fatores de infertilidade associados, como fator masculino ou obstrução tubária
  • Com quadro de dor associado

Candidatas a escolher preferencialmente a reprodução assistida:

  • Idade maior que 35 anos
  • Baixa reserva ovariana
  • Já tentou tratamento cirúrgico antes
  • Possui outros fatores de infertilidade, como fator masculino ou obstrução tubária
  • Sem quadro de dor associado ou que consegue um bom controle da dor com medicações.

Nem sempre a paciente se encaixa perfeitamente nos dois cenários descritos acima. Por isso é muito importante que seja feita uma avaliação individualizada para escolher o melhor tratamento para cada casal! O Dr Francisco de Assis tem quase 20 anos de experiência no tratamento das pacientes com endometriose que desejam engravidar.

Dr Francisco de Assis, especialista em reprodução assistida

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